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tempos apocalípticos

 tempos apocalípticos os desafios do nosso tempo as lutas que temos vivido a peleja que não tem trégua a guerra intensa e prolongada armas de ataque e defesa o ponto alto do combate as armas espirituais o cumprimento das profecias guerras e rumores de guerras terremotos e tsunamis fomes e pestilências famílias em desencanto a minha luta, a tua luta as nações em convulsão o colapso das estruturas o sistema em explosão o amor se extinguindo o homem perdido no espaço o homem perdido no tempo o segredo das Escrituras o mistério das profecias um punhado de pessoas salvas o toque da última trombeta

o tempo do hoje

 o tempo do hoje o tempo do hoje o tempo que temos o tempo do tempo a hora do tempo a hora do agora a hora do momento o momento do agora o momento da vida a vida da hora a hora da vida a vida do agora a hora do momento o instante do agora o instante que foi o instante que virá o tempo do futuro o tempo do passado o passado do agora o tempo pretérito o pretérito mais que perfeito o pretérito imperfeito a imperfeição do passado a imperfeição do presente a dúvida do futuro o que será do futuro o futuro de cada um o que temos agora o que temos agora? o tempo do agora o tempo do hoje

lamentos e louvores

 lamentos e louvores são lamentos e louvores são subidas e descidas dias de sol e dias de chuva a antítese da vida a ambiguidade do ser lutas e vitórias medo e coragem e seguimos nesses altos e baixos vivendo e morrendo cada dia, em dias de triunfos e dias de derrotas no que vêm o riso e o choro amparados na dor e no gozo com lances de heróis e lances medíocres na luta da carne contra o espírito construindo e destruindo batendo e sendo batidos na angústia e na leveza ganhando e perdendo falando e ouvindo na guerra e na paz sim, são lutas, embates triunfos e conquistas nesse mundo visível e invisível no tempo e no espaço são lamentos e louvores

poesia da viagem urbana

 poesia da viagem urbana lá estava eu, sentado no coletivo, indo de um ponto ao outro da cidade o coletivo chacoalhava com ruídos grotescos da maquinaria velha e vencida. toda desconjuntada, a máquina de transporte estalava com grosseria. parecia que havia um acordo entre os buracos no asfalto e as peças frouxas do trambolho em movimento sentado num banco do veículo, como uma fruta no liquidificador, ou como gado transportado num caminhão, eu balançava e trepidava a cada chacoalhada do veículo que avançava. vivendo também essa experiência, velhinhos felizes por causa do passe-livre. no rádio do ônibus uma música que me remetia aos anos oitenta e lá mesmo, naquele possante esboforido, pensei: vou escrever uma poesia assim nasceram esses versos, comprovando que é possível nascer arte de uma prosaica viagem urbana

diante de mim

 diante de mim diante de mim um caminho que nunca trilhei diante de mim o desconhecido, e a consciência de que devo confiar sei que me aguardam lutas e embates sei que me aguardam alegrias e tristezas sei que me aguardam as experiências que aguardam todos os homens diante de mim as vivências dos anos vividos diante de mim a surpresa, o lance imprevisto, como diz o louvor mas não há outro caminho não há alternativa e isso para todos nós é seguir avante, esquecendo o passado é seguir em frente sem olhar para os lados é focar no objetivo e perseverar sem vacilo, sem titubeio diante de mim a esperança do porvir diante de mim a destra do meu Criador e o prêmio destinado aos que vencerem diante de mim um fio escarlate que me conduz e a promessa do meu galardão

a rotina e a poesia

a rotina e a poesia eis à minha frente a rotina e a poesia quero fazer poesia, subindo ao alto, mas eis que a rotina me prende ao chão como cantar a beleza da beleza da vida se me angustio com as coisas concretas? o espírito clama e se alegra com o que é do alto mas o corpo chama a atenção para o sustento da carne e assim fico dividido vida cindida mente cindida e a cisão é tão forte que não consigo escrever a luta da carne contra o espírito é tão renhida que me torno ambíguo um sopro divino, porém, no meu ouvido, e consigo escrever mesmo sem ver beleza na escrita mas lá está ela cá ela está levando consigo a angústia do coração levando consigo a aflição da alma e me pondo em condições para o seguinte embate e novamente à minha frente a rotina e a poesia

o que sou

 o que sou eu sou a minha palavra sou a palavra na minha boca sou o fazer na minha mão sou o caminho no meu pé mas sobretudo sou a palavra que pronuncio sou o verbo na minha mente sou meu ponto e minha vírgula em um mundo de reticências sou a sílaba, a palavra, a oração sou feito de português e tenho nuances de outras línguas sou minha neurociência sou minha neurolinguagem neurolinguisticamente formado pela união de duas outras palavras: Maria e José sou a palavra escrita sou a palavra falada sou a palavra pensada mas não dita, não pronunciada ainda eu sou o texto que eu li sou o texto que escrevi eu sou este poema aqui você me encontra, caro leitor aqui você me estuda e me conhece eu sou a minha palavra