eu sou daquele tempo

 eu sou daquele tempo


eis que não sou deste tempo

sou de um tempo mecânico

sou de um tempo de pé no chão

sou do tempo do lápis e da borracha

tempo do segundo grau

tempo da bicicleta:

eu cruzei esta cidade

sou do tempo do vovô e da vovó

tempo do telefone fixo

sou do tempo do trabalho manual

sou da década de oitenta,

embora nascido nos setenta

tempo da turma do Balão Mágico

tempo do Daniel Azulay

tempo do Sítio do Pica-pau Amarelo

eu tinha medo do minotauro,

e nem era noite

tempo do frio na barriga

ao ouvir a música do Supercine

eu sou do tempo do

Castelinho do Guri,

onde fui alfabetizado

vou completar cinquenta

e vivi pra ver o tempo de hoje

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