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Mostrando postagens de setembro, 2026

a caminhada

 a caminhada o caminho é em frente a direção é para cima a vereda que nos aguarda a estrada que vai avante é não se desviar nem para direita nem para esquerda a vida a ser vivida problemas a resolver desafios a serem vencidos o caminho que vai direto os atalhos (sempre eles) as armadilhas (sempre elas) o passo no ritmo da marcha o grupo que vai unido uns à vanguarda outros à retaguarda a ordem é uma só: ninguém fica para trás a caminhada é árdua necessária perseverança e assim nós vamos em frente sempre sempre em frente sempre olhando para o alto

manias, métodos e sistemas

 manias, métodos e sistemas são comportamentos metódicos de uma vida sistemática são ações robóticas de fazeres metálicos apesar da alma subjetiva são costumes lógicos de uma mente matemática são atitudes geométricas num corpo de carne e osso é um pensamento linear moldado pela régua da linguagem emoções e sentimentos cindidos e ambíguos num crânio psicotrópico como que uma música erudita tocada por instrumentos populares são neurônios patológicos em um cérebro traumatizado e o poeta transforma a dor em melodia, porque no seu pensar são manias, métodos e sistemas

eu sou daquele tempo

 eu sou daquele tempo eis que não sou deste tempo sou de um tempo mecânico sou de um tempo de pé no chão sou do tempo do lápis e da borracha tempo do segundo grau tempo da bicicleta: eu cruzei esta cidade sou do tempo do vovô e da vovó tempo do telefone fixo sou do tempo do trabalho manual sou da década de oitenta, embora nascido nos setenta tempo da turma do Balão Mágico tempo do Daniel Azulay tempo do Sítio do Pica-pau Amarelo eu tinha medo do minotauro, e nem era noite tempo do frio na barriga ao ouvir a música do Supercine eu sou do tempo do Castelinho do Guri, onde fui alfabetizado vou completar cinquenta e vivi pra ver o tempo de hoje

novidade de vida

 novidade de vida algo novo está por vir uma novidade outra realidade um novo dia novos céus nova terra uma nova vida a mudança de um tempo uma nova dispensação e como é difícil escrever esta poesia há algo novo em todos os momentos há algo novo sempre na minha vida mas a poesia reluta em nascer e eis que nasce uma nova poesia um novo texto uma nova direção algo novo está para nascer mister estar sempre, por isso, em novidade de vida

a poesia é o próprio poeta

 a poesia é o próprio poeta a poesia está em mim eu estou na poesia como escrever uma poesia fora de mim? eu sou o meu maior objeto de estudo a poesia está atrelada ao seu autor e ao seu tempo eis que isto é filosofia da poesia o estudo da poesia nela mesma o conhecimento poético sendo construído e qual é o tema ou assunto da poesia? é a própria poesia é o próprio autor o poeta se conhece pela sua poesia e a poesia é conhecida de quem a lê e o poeta é conhecido de quem o lê e eis que me exponho aqui, através da minha poesia, se é que isso é poesia chame o leitor do que quiser eis que é o meu teor em forma de texto logo eu, que me escondo atrás da poesia atrás do texto sendo que a poesia é o próprio poeta

à beira daquele rio...

 à beira daquele rio... os jornais, escandalosos, publicam as notícias notícias de um mundo em chamas notícias de um mundo caótico notícias de um mundo em convulsão as pessoas, aturdidas, são testemunhas do caos as pessoas, elas mesmas, presenciam a barbárie as pessoas, perdidas, marcham em confusão o planeta, esgotado, arfa e arqueja o planeta, exaurido, sucumbe à obra do homem o planeta, nossa morada, moribundo agoniza nas ruas e nas avenidas, a fome e a dor nas ruas e nas avenidas, o amor congelado nas ruas e nas cidades se cumprem as profecias as profecias do sermão profético as profecias do sermão da montanha as profecias dos oráculos do Senhor e eu a tudo observo, também estupefato, à beira daquele rio...

a raíz fincada na terra

 a raíz fincada na terra a planta queimada no incêndio de fogo e a raíz fincada na terra a folha morta assim como papel e a raíz fincada na terra o fruto do hectare morto, mirrado, e a raíz fincada na terra o sarmento ressecado debaixo do sol calcinante e a raíz fincada na terra o tronco retorcido em combustão de labareda e a raíz fincada na terra os galhos retorcidos, na chama que abrasa, e a raíz fincada na terra o ramo em graveto de pau, na madeira da sua morte, e a raíz fincada na terra a árvore sem flores nem casca, no ressecamento da irrigação, e a raíz fincada na terra o arbusto de fumaça ardente, escassa que é a água, e a raíz fincada na terra

mundo de narrativas

 mundo de narrativas vivemos em um mundo um mundo de narrativas e elas são tantas... narrativas convergentes narrativas divergentes narrativas à direita narrativas à esquerda narrativas numerosas como são numerosos os narradores narradores políticos narradores religiosos narradores artísticos e não é possível viver num mundo em narração sem nada narrar e eis-me aqui narrando minha poesia narrando minha participação narrando minha contribuição narrador que sou também num mundo em narrativa o que você narra, caro leitor? o que eu narro, amigo leitor? e não narrar nada já é um tipo de narrativa nesse mundo em que vivemos um mundo de narrativas

o método da repetição

 o método da repetição o método da repetição o processo da fixação o exercício cerebral o modelo do aprendizado o sistema da informação fazendo do que se repete a informação viva e fixada o cruzamento de dados a observação cautelosa, em variadas perspectivas o estímulo de vários sentidos a percepção crítica a interpretação exata o método do sistema organização e técnica a linguagem da informática sistema crítico e binário a leitura do texto a contemplação da imagem a checagem das informações a concentração focal o foco no núcleo da situação depois desse processo apurado e complexo a conclusão resumida neste que sempre será o método da repetição

tempos apocalípticos

 tempos apocalípticos os desafios do nosso tempo as lutas que temos vivido a peleja que não tem trégua a guerra intensa e prolongada armas de ataque e defesa o ponto alto do combate as armas espirituais o cumprimento das profecias guerras e rumores de guerras terremotos e tsunamis fomes e pestilências famílias em desencanto a minha luta, a tua luta as nações em convulsão o colapso das estruturas o sistema em explosão o amor se extinguindo o homem perdido no espaço o homem perdido no tempo o segredo das Escrituras o mistério das profecias um punhado de pessoas salvas o toque da última trombeta

o tempo do hoje

 o tempo do hoje o tempo do hoje o tempo que temos o tempo do tempo a hora do tempo a hora do agora a hora do momento o momento do agora o momento da vida a vida da hora a hora da vida a vida do agora a hora do momento o instante do agora o instante que foi o instante que virá o tempo do futuro o tempo do passado o passado do agora o tempo pretérito o pretérito mais que perfeito o pretérito imperfeito a imperfeição do passado a imperfeição do presente a dúvida do futuro o que será do futuro o futuro de cada um o que temos agora o que temos agora? o tempo do agora o tempo do hoje

lamentos e louvores

 lamentos e louvores são lamentos e louvores são subidas e descidas dias de sol e dias de chuva a antítese da vida a ambiguidade do ser lutas e vitórias medo e coragem e seguimos nesses altos e baixos vivendo e morrendo cada dia, em dias de triunfos e dias de derrotas no que vêm o riso e o choro amparados na dor e no gozo com lances de heróis e lances medíocres na luta da carne contra o espírito construindo e destruindo batendo e sendo batidos na angústia e na leveza ganhando e perdendo falando e ouvindo na guerra e na paz sim, são lutas, embates triunfos e conquistas nesse mundo visível e invisível no tempo e no espaço são lamentos e louvores

poesia da viagem urbana

 poesia da viagem urbana lá estava eu, sentado no coletivo, indo de um ponto ao outro da cidade o coletivo chacoalhava com ruídos grotescos da maquinaria velha e vencida. toda desconjuntada, a máquina de transporte estalava com grosseria. parecia que havia um acordo entre os buracos no asfalto e as peças frouxas do trambolho em movimento sentado num banco do veículo, como uma fruta no liquidificador, ou como gado transportado num caminhão, eu balançava e trepidava a cada chacoalhada do veículo que avançava. vivendo também essa experiência, velhinhos felizes por causa do passe-livre. no rádio do ônibus uma música que me remetia aos anos oitenta e lá mesmo, naquele possante esboforido, pensei: vou escrever uma poesia assim nasceram esses versos, comprovando que é possível nascer arte de uma prosaica viagem urbana

diante de mim

 diante de mim diante de mim um caminho que nunca trilhei diante de mim o desconhecido, e a consciência de que devo confiar sei que me aguardam lutas e embates sei que me aguardam alegrias e tristezas sei que me aguardam as experiências que aguardam todos os homens diante de mim as vivências dos anos vividos diante de mim a surpresa, o lance imprevisto, como diz o louvor mas não há outro caminho não há alternativa e isso para todos nós é seguir avante, esquecendo o passado é seguir em frente sem olhar para os lados é focar no objetivo e perseverar sem vacilo, sem titubeio diante de mim a esperança do porvir diante de mim a destra do meu Criador e o prêmio destinado aos que vencerem diante de mim um fio escarlate que me conduz e a promessa do meu galardão

a rotina e a poesia

a rotina e a poesia eis à minha frente a rotina e a poesia quero fazer poesia, subindo ao alto, mas eis que a rotina me prende ao chão como cantar a beleza da beleza da vida se me angustio com as coisas concretas? o espírito clama e se alegra com o que é do alto mas o corpo chama a atenção para o sustento da carne e assim fico dividido vida cindida mente cindida e a cisão é tão forte que não consigo escrever a luta da carne contra o espírito é tão renhida que me torno ambíguo um sopro divino, porém, no meu ouvido, e consigo escrever mesmo sem ver beleza na escrita mas lá está ela cá ela está levando consigo a angústia do coração levando consigo a aflição da alma e me pondo em condições para o seguinte embate e novamente à minha frente a rotina e a poesia

o que sou

 o que sou eu sou a minha palavra sou a palavra na minha boca sou o fazer na minha mão sou o caminho no meu pé mas sobretudo sou a palavra que pronuncio sou o verbo na minha mente sou meu ponto e minha vírgula em um mundo de reticências sou a sílaba, a palavra, a oração sou feito de português e tenho nuances de outras línguas sou minha neurociência sou minha neurolinguagem neurolinguisticamente formado pela união de duas outras palavras: Maria e José sou a palavra escrita sou a palavra falada sou a palavra pensada mas não dita, não pronunciada ainda eu sou o texto que eu li sou o texto que escrevi eu sou este poema aqui você me encontra, caro leitor aqui você me estuda e me conhece eu sou a minha palavra

a construção de uma poesia

 a construção de uma poesia  a construção de uma poesia a construção de um texto a construção de uma prosa um texto que não seja nem prosa nem poesia uma poesia enviesada uma poesia bruta uma poesia não lapidada apenas um texto apenas um registro eu me revelo e me escondo no texto que eu construo uma prosa diferente uma prosa maneirista uma prosa-poema experimental um texto com arestas o verso livre, sem compromisso com a musicalidade apenas um obelisco uma torre construída com letras e espaços a formalidade de um blog o método de publicação a interrogação nos olhos do leitor a crítica na mente do leitor algo como: "forçando a barra pra escrever" e meio que é isso mesmo que eu saiba não é crime talvez ninguém leia esse texto mas ele estará lá, de prontidão, alerta e vigilante na construção de uma poesia

as marcas da vida

 as marcas da vida as marcas da vida os sinais do que passou a lembrança das coisas fatos do passado ainda vivos na memória marcas e cicatrizes marcos e vivências os símbolos que nos falam no passado escrito na pele do corpo corpo que veio do barro corpo que voltará ao barro e as marcas, os sinais? para onde vão? marcas dolorosas perdidas no esquecimento novo céu e nova terra os símbolos da salvação marcas indeléveis marcas substanciais o tempo cronológico sendo substituído pelo tempo eternal enquanto o passado é substituído pelo futuro no momento do agora e as marcas são a própria vida semiótica da vivência as marcas da vida conduzindo-nos à eternidade do tempo

um tempo especial

 um tempo especial é tempo de poesia é tempo de escrever escrever poesia escrever prosa porque é um tempo poético porque é um tempo profético tempo de raros dias tempo de definição tempo do tempo tempo metafísico tempo metafórico instantes do bem instantes do mal e eis a peleja do tempo de hoje horas aceleradas minutos incertos segundos de improviso um tempo especial para um povo especial no calendário da profecia o fechamento, extraordinário, de uma dispensação mister estar atento atento, de prontidão de acordo com o tempo kairós desperta, amigo o sono já se foi e é necessário estar desperto

hoje é dia de poesia

 hoje é dia de poesia hoje é dia de poesia hoje é dia de prosa poética por isso eu escrevo não escrevo para lucrar escrevo pra escrever escrevo para viver escrevo pra me comunicar e como hoje é dia de poesia eu escrevo a poesia de hoje eu leio leio leio a leitura transborda em forma de escrita quem gosta de ler gosta de escrever por isso eu escrevo escrevo porque a escrita faz parte da minha vida durante anos escrevi e não publiquei mas agora vez por outra eu publico não publico pra vender publico pra me expressar publico pra participar publico pra publicar e como hoje é dia de prosa eu proseio proseio na estrutura da poesia proseio no ritmo da poesia e a prosa fica assim, poética e a poesia fica assim, prosaica e como hoje é dia de poesia eu publico este poema, esta canção em forma de prosa

o registro de hoje

 o registro de hoje a escrita de hoje o registro de hoje a anotação de hoje a poesia de hoje se preferir, a prosa de hoje minha vida no papel escrita autobiográfica o que não quero revelar escrevo em metáfora escrevendo no blog escrevendo no caderno escrevendo no diário os diários, os originais o desenho, a pintura o meu falar minha voz parada no ar linguagem escrita linguagem falada o desenho em forma de escrita a geometria em forma de escrita a caixa da letra o quadrilátero do tipo a escrita de hoje a luta de hoje a peleja de hoje a busca de hoje a vitória de hoje o registro de hoje

minha caminhada

 minha caminhada faz anos que iniciei essa caminhada e me alegro por ainda permanecer nela anos passaram companheiros ficaram pra trás outros permanecem comigo caminhada difícil mas que vale a pena caminhar aliás, para quem iríamos nós? iniciei a caminhada ainda jovem e eis que vou envelhecendo eu louvo a Deus pelas libertações louvo a Deus pelos irmãos pelas experiências como o Senhor mesmo me disse comecei a caminhada sem saber se iria chegar ao destino e eis que o Senhor diz pra eu continuar vou chegar no destino sei para onde vou sei de onde venho e eis que um punhado vai chegar na linha de chegada sou um peregrino meu descanso não está nesse mundo o Senhor virá ao nosso encontro nós vamos ao encontro do Senhor a caminhada é para frente para o alto esquecendo o passado sem se desviar nem pra direita nem pra esquerda vem caminhar conosco o tempo ainda é propício e sigamos caminhando em direção à eternidade

minha identidade

 minha identidade a poesia de hoje o texto de hoje o registro de hoje minha vida narrada, metaforicamente, numa poesia eu escondido na letra rabisco do papel eu oculto no desenho do traço geométrico a poesia que sofre pra nascer meu compromisso comigo mesmo de produzir produzir trabalho produzir letras produzir literatura meu viver nesta quarta-feira eternizado no papel digital a poesia que é a tradução da minha complexa vida minha vida complexa minha vida tumultuada o tumulto dentro da minha cabeça do lado de fora, paz a paz que eu só alcanço se eu escrever poesia, se eu produzir por isso eu escrevo quem lerá o que eu escrevo? esta é a poesia de hoje já me revelo na grafia da linguagem já me revelo nesses versos que declamo a poesia é a minha identidade

a minha dor

 a minha dor eu escrevo a minha dor minha dor é real vivo num mundo de dor todos sentem dor eu confesso a minha dor transformo minha dor em poesia eu escrevo a minha angústia você sente angústia, caro leitor? então somos dois a dor, a angústia de uma alma imortal presa num corpo mortal a dor da família a dor da enfermidade a dor do pecado a angústia, a aflição de um mundo que encena todos sentem dor todos sentem angústia todos sentem aflição estou preso na morte do meu corpo, corpo que não é mais jovem sei que tudo pode mudar tudo irá mudar será num abrir e fechar de olhos mas enquanto não vem a mudança, dou um tratamento literário à minha dor, à minha aflição qual será a reação do leitor? não sei, mas uma coisa é certa: minha dor ficou no papel

minha poesia

 minha poesia eu escrevo meu conteúdo mental eu escrevo a ânsia do meu cérebro eu escrevo o desenho da poesia minha poesia é um desenho eu reparo na sua forma minha poesia é um grafismo literário minha poesia é secular é o ofício que me foi usurpado é a produção do campo da arte é contabilidade de letras é o registro dos dias que passam eu escrevo as digitais dos meus dedos eu escrevo a falta de saúde psíquica minha poesia é só minha não sou mais um no meio da multidão eis a marca pessoal de uma vida única é uma experiência que não se repete escrever é o labor de um inválido construir e deixar uma marca papéis e papéis arquivados no testemunho do poeta que viveu minha poesia é viva e terá sempre continuidade minha experiência é a literatura e no porvir, a vida eterna

poesia de hoje cantada

 poesia de hoje cantada a poesia de hoje a produção de hoje a demanda de hoje a angústia de hoje o hoje de todos os dias os momentos de todos os dias os embates de todos os dias as inquietações da vida os sonhos da vida os flertes da vida a vida de todos os dias a vida de hoje a vida de ontem e de amanhã a vida de toda uma vida a vida registrada na poesia a vida registrada da escrita a vida registrada no papel poesia de hoje registrada a vida de hoje cantada a canção da vida publicada

viver, adorar, vencer

 viver, adorar, vencer a minha vida está na minha poesia a minha mente está na minha poesia o meu coração está na minha poesia na minha poesia eu escondo o meu querer na minha poesia eu escondo os meus anseios na minha poesia eu escondo a minha angústia minha vida, minha mente, meu coração meu querer, meus anseios, minha angústia na construção da poesia, a construção da minha vida na construção da poesia, meu trabalho na construção da poesia, minha catarse eu escrevo para viver eu vivo para adorar eu adoro para vencer